Publicado por: fernandamag em: 06/22/2009
Hoje, consumir compulsivamente não é só um ato de luxo, e sim uma doença.
Cartões de crédito, cheques especiais, promoções. Todas as facilidades para adquirir produtos são disponibilizadas por um simples preenchimento de dados ou uma ligação. Consumir excessivamente é mais que um ato feito de vez em quando, para muitas pessoas é algo rotineiro e, também, problemático. Manoel Rodrigues-Neto, professor de psicologia do Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB) e mestre em psicologia do consumidor, considera a compulsão por compras uma doença.
Entrar no shopping e sair com milhares de sacolas, que ao chegar em casa se transformam em motivo de desespero tem sido momentos enfrentados na vida de Ana[1]*. “Depressão gera vários transtornos. A questão da auto-estima no meu caso era muito baixa e me levou a ter transtorno bipolar compulsivo. Pra suprir isso eu comprava compulsivamente” afirma a jovem. Essa compulsão foi atestada como manifestação de um transtorno bipolar aliado à depressão. O professor complementa que “transtorno bipolar compulsivo é uma variação de humor, sem aparente explicação. Quando uma pessoa está em depressão pode descontar nas compras”.
Manoel Rodrigues aponta que o distúrbio é acompanhado por uma ansiedade que leva o indivíduo a ser menos racional e mais emocional. O professor, ainda, faz uma comparação, de que o consumismo se intensifica junto com o fluxo do capitalismo. Empresas, publicitários e órgãos governamentais se apropriam dessa lógica de mercado. “A partir do momento que você compreende as variáveis do comportamento do consumidor as empresas podem se adequar melhor aos interesses deles, assim como os órgãos [públicos] podem preparar melhor as leis para não enganar o consumidor”. Leia o resto deste post »
Publicado por: fernandamag em: 06/16/2009
A fatalidade anormal ocorrida com o Airbus da Air France no ultimo dia do mês de maio, abalou e desiludiu muita gente. Para àqueles que tinham a sensação de estarem seguros ao voar de avião, foram-lhes tiradas as esperanças.
A notícia da morte de uma passageira que perdeu o voo do dia 31, após ter morrido em um acidente de carro no mesmo dia do voo, colocou em questão o antigo ditado popular de que a hora dela realmente chegara. O incômodo que isto causa é evidente. Basta estarmos vivos para corrermos risco de morte.
A revista Isto É trouxe em sua capa, na semana passada a seguinte pergunta: “Então quer dizer que nunca estivemos seguros?!”. Respondo que não, assim como em terra firme nunca estivemos. O homem criou asas que não lhe foram concedidas e alcançou os céus sem devida permissão. A tecnologia avançada, estudos e cálculos feitos de nada serviram para sustentar nos céus as vidas de 228 pessoas.
Depois desta catástrofe, será que ainda teremos a ilusão de estarmos seguros em algum lugar deste mundo? Acho que ao invés de pesarmos nisso devemos viver enquanto há tempo, e claro, não deixarmos de viajar de avião. Afinal, a realidade é dura, mas a vida é curta!
Publicado por: fernandamag em: 12/09/2008
O seriado americano Dexter, conta a história de um analista forense, Dexter Morgan, especialista em padrões de dispersão de sangue, do departamento de polícia de Miami.
Neste caso, baseado na obra de Christopher Vogler, “A Jornada do Escritor”, Dexter é considerado o anti-herói. Ele é um psicopata que mata os criminosos que a polícia não consegue encontrar, sem deixar pistas.
O protagonista da série julga-se um homem sem sentimentos, mas mantém uma relação afetuosa com a meia-irmã. Debra, que é policial, tenta provar para sua chefe, que tem boas pistas para encontrar os serial-killers, com a ajuda do irmão que tem faro para encontrá-los.
O padrasto de Dexter notou que ele tinha tendências psicopatas quando ele ainda era um menino, e o direcionou para usar seu instinto para fazer justiça, de uma maneira um tanto excêntrica. Seu fetiche é desmembrar os assassinos que mata e guardar uma gota de sangue de cada um, como em uma coleção.
Já na série Life on Mars, que tem como protagonista o detetive Sam Tyler, podemos ver nitidamente características de um herói completo.
Sam é tele transportado para a década de 70, enquanto tentava desvendar o desaparecimento de sua namorada.
A jornada do herói se baseia exatamente nisto. O mocinho é tirado de seu habitat natural para combater forças ocultas em “outro mundo”, depois como recompensa, por ter alcançado seu objetivo, pode retornar a sua vida normal.
Tyler encontra muitas dificuldades para entender como ele saiu do ano de 2006 e foi parar na década de 70. Durante o seriado Sam faz amigos. Uns o ajudam e outros atrapalham ainda mais na sua jornada para desvendar um caso de desaparecimento também.
O desfecho da série se dá quando Sam consegue desvendar e salvar a moça desaparecida, e percebe que este caso tem relação com o caso do sumiço de sua namorada no ano de 2006. Os dois casos estão interligados.
Para Christopher Vogler as histórias têm objetivo de entretenimento misturado à fascinação pelo que não é real. É isto que essas duas séries nos trazem. A vontade obscura de fazer justiça pelas próprias mãos, e uma jornada no nosso próprio subconsciente, capaz de desvendar todos os mistérios que existem entre nós.
Publicado por: fernandamag em: 12/07/2008
É óbvio que subornar fontes e mentir para obter informações é uma atitude muito radical. Se for em prol do interesse público, o jornalista até teria motivos plausíveis, mas deve-se evitar.
A atividade jornalística se baseia na clareza e na objetividade dos fatos, reportando aos leitores, ou telespectadores, a realidade. Se esta realidade é necessária ao conhecimento geral e a sociedade não tem acesso, cabe ao jornalista investigar e procurar, da melhor maneira, obter dados para esclarecê-las, porém, sempre cuidando para que a ética jornalística não seja desobedecida.
Jabá é um termo utilizado no jornalismo para designar personagens que oferecem benefícios materiais, em troca de exposição na mídia e elogios. Mas esta oferta não parte do jornalista. Então, cabe a ele ter ética para recusá-lo.
A todo o momento estamos nos deparando com a ética. Mas, é claro que na profissão de jornalista, isso é mais consistente, pois ela é um instrumento de escolha entre o “bem” e o “bem”, ou entre o “mal” e o “mal”, levando em conta quais os interesses envolvidos.
O jornalista é considerado “porta-voz” da opinião pública e o “quarto poder”. Tem a função de fiscalizar os poderes públicos e privados, assegurar a transparência das relações políticas, econômicas, sociais e fornecer informações, comentários e opiniões dentro do que lhe foi confiado.
Deixar de se identificar para obter uma notícia de valor, que se se identificasse não teria acesso, é em minha opinião o diferencial entre um profissional que só se preocupa com o que vai receber se publicar uma matéria ou não, daquele que realmente tem interesse de prestar serviços à população com a qual está comprometido. Neste caso, o único prejudicado seria o próprio jornalista, que está arriscando sua profissão em detrimento do interesse público.
Publicado por: fernandamag em: 12/06/2008
Durante a semana minha rotina é pesada. Levanto às 04h15 e faço meu café. Minha vida sempre foi muito dura. Tive pouco estudo e meus pais precisavam que eu trabalhasse desde pequeno para ajudar nas despesas da casa. Era uma família grande. Eu tinha oito irmãos.
Hoje sou servente de pedreiro. Meu emprego me dá o necessário. Vivo sozinho num barraco simples, com um quarto, um banheiro, sala e cozinha juntos.
Alguns anos atrás tive esposa e um filho. Minha perda foi dramática. Minha mulher adoeceu de meningite e logo meu filho adoeceu junto. Não resistiram, por falta de assistência. Fui fraco, e minha vida mudou completamente depois disso.
Resolvi mudar de casa. Morávamos em uma casinha simples, mas muito boa. Eu trabalhava como motorista de um empresário bem sucedido. Ele era muito bom para mim e minha família. Sempre nos ajudava nas compras do mês e dava roupas novas para meu filho. Minha esposa trabalhava como empregada doméstica na mesma casa e nas horas vagas, como costureira. Meu filho só estudava. Estava na quarta série do primário. Éramos uma família feliz.
Nunca tive nenhum vício. Mas, depois da morte deles, entreguei-me ao álcool. Vendi a casa e larguei o emprego. Minha vida já não tinha mais sentido sem eles. Eu estava só, largado no mundo.
Numa dessas noites desvairadas, em que estava completamente embriagado e sem rumo, andando pela rua de madrugada, fui atropelado por um carro. Dizem que fiquei três dias inconsciente. Para mim foram bem mais que somente três dias. Estive com meu filho e minha esposa. Eles não haviam me abandonado. Leia o resto deste post »
Publicado por: fernandamag em: 12/05/2008
Para aqueles que se interessam em saber mais sobre o ano de 1968, essa é uma pergunta freqüente. Será que aquele ano representou uma revolução política, cultural, social ou seja lá o que for, ou apenas uma anarquia geral por parte de jovens rebeldes que não sabiam ao certo o que queriam? O livro do jornalista Zuenir Ventura tenta responder a essa e outras perguntas referentes a esse ano que tanto marcou o Brasil e o mundo.
Resultado de uma pesquisa incessante, banhado por dezenas de entrevistas e depoimentos, o livro de Zuenir Ventura, publicado pela Editora Nova Fronteira em 1988, com mais de 40 edições, tornou-se ícone da história do jornalismo brasileiro.
O livro é uma reconstituição dos acontecimentos de 1968. Retrata os anseios de uma geração movida pela vontade de mudanças, descritos num relato de grande importância para a compreensão do Brasil contemporâneo. “Se houve na história um movimento em que seus componentes não souberam o que era egoísmo, anulando-se como indivíduos para se encontrar como massa, esse movimento foi o da espetacular, pública e gregária geração de 68.”, escreve Zuenir Ventura.
O jornalista começa descrevendo o famoso “Réveillon da Helô”, festa realizada na casa de Heloisa Buarque de Hollanda, crítica literária e sua amiga, e termina com José Dirceu, líder estudantil preso em 68, e com a decretação do AI-5 – o Ato Institucional número 5, que deu plenos poderes ao governo militar e acabou com muitas liberdades individuais, inclusive a liberdade de expressão.
Para Ventura, o ano de 1968 representou uma sintonia mágica, misteriosa, que fez as coisas acontecerem ao mesmo tempo em países de regimes diferentes. Foi a primeira manifestação da globalização sem ela nem existir. O ano de 68 foi muito mais que uma revolução política. Foram protestos contra a ditadura, vanguardismo estético e irreverência comportamental. Os jovens queriam mudar o mundo, achavam que se podia mudar tudo por meio da revolução. Acreditavam que podiam fazer uma revolta política. Lutavam em todas as frentes para destruir o velho e impor o novo.
A grande ironia é que eles não fizeram uma revolução política, mas uma revolução cultural. Mudaram os costumes, mudaram os hábitos, mudaram a maneira de pensar, de agir e de vestir. Mudaram os valores.
O livro trata também da questão das drogas. Em 68, houve uma utopia em relação às drogas. Os jovens achavam que seria um caminho para o autoconhecimento, para a ampliação do conhecimento, de expansão da consciência e liberdade. Mas, infelizmente, chegou-se à conclusão de que as drogas são o instrumento de morte. Leia o resto deste post »
Publicado por: fernandamag em: 12/04/2008
Nara Leão, considerada por muitos como a musa da Bossa Nova, nasceu no Espírito Santo, em 1942, e mudou-se para o Rio de Janeiro quando ainda era criança. No apartamento de seus pais, em Copacabana, aconteciam reuniões de música, onde Nara começou a ter aulas de violão com o experiente cantor Patrício Teixeira. Alguns críticos acreditam que essas reuniões deram origem à bossa nova.
Nara estreou como cantora no musical “Pobre Menina Rica”, de Vinícius de Morais e Carlos Lyra, em 1963. No ano seguinte, quando gravou seu primeiro LP, provocou polêmica ao adotar um repertório que, além de bossa nova, incluía os chamados “sambas de morro”. A jovem cantora descobriu o samba e, com ele, os problemas do morro, a fome e um outro lado da vida. Nara não tinha medo. Cantava protestos, iê-iê-iê, bolero ou música nordestina. Cantava o que tinha vontade sem se preocupar com tendências musicais.
A cantora, que já se firmava como musa da bossa nova, apostou nas canções de protesto e, a partir daí, popularizou-se como mulher corajosa e ícone da juventude brasileira engajada contra a ditadura nos anos 60.
A menina tímida, que tinha medo do palco, mostrou-se uma mulher de opiniões fortes e contestadoras. Nara chegou a fazer ofensas aos militares em pleno regime militar. Em uma entrevista em 1966, a cantora disse que “os militares podem entender de canhão ou de metralhadora, mas que não ‘pescam’ nada de política”. Houve uma tentativa por parte do então presidente, Costa e Silva, de querer enquadrá-la na Lei de Segurança Nacional, mas vários intelectuais saíram em sua defesa, e nada aconteceu. De musa da Bossa Nova, Nara passa a ser cantora de protestos, simpatizante das atividades dos Centros Populares de Cultura da UNE. Participou em 1964 do show Opinião que teve fortes influências “cepecistas”.
Em 1966, interpretou junto com Chico Buarque a música “A Banda”, que foi vencedora do Festival da Música Popular Brasileira, na TV Record.
Nara Leão foi uma das primeiras cantoras a apoiar o movimento tropicalista, que revelou grandes cantores brasileiros como Gilberto Gil e Caetano Veloso. Na famosa polêmica das guitarras, a musa da bossa acabou se eletrificando. Leia o resto deste post »
Publicado por: fernandamag em: 12/03/2008
O livro “A Jornada do Escritor – Estruturas míticas para escritores”, de Christopher Vogler, publicado pela Editora Nova Fronteira em 1998, é indispensável para aqueles que querem, além de entender os elementos fundamentais da narrativa e seu uso na escrita moderna, buscar ensinamentos para a própria vida.
O autor faz uma viagem com o leitor, explicando o surgimento da Jornada do Herói, as críticas levantadas, as dificuldades de se criar um perfil ideal e esboça, através de um quadrado, as linhas que representam as etapas a serem seguidas pelo herói.
Vogler se inspirou na obra “O Herói de Mil Faces”, de Joseph Campbell, que faz um estudo sobre os mitos mundiais do herói e cria o mito do herói. Através do livro de Campbell, ele constata que todas as histórias têm elementos comuns e repetitivos.
Curioso com o que as histórias representam, significam e como elas funcionam, o autor busca desvendar os segredos dos contadores de histórias. Escrito em primeira pessoa, o livro dá um ar de que o autor está realmente conversando, aconselhando e interagindo com o leitor. Ele aponta suas próprias indagações a respeito de como uma boa história pode realmente tocar e se transformar em uma experiência inovadora para quem lê.
Christopher Vogler trabalhava como analista de histórias para grandes estúdios de cinema americano. A partir disso, sentiu a necessidade de criar uma maneira prática, simples e objetiva de diagnosticar os problemas dos enredos e indicar soluções para evitar erros. A obra de Campbell foi essencial na criação de um memorando de sete páginas intitulado “Guia Prático de O herói de mil faces”, que descrevia a idéia do herói e exemplificava por meio de filmes clássicos e atuais. O livro de Joseph Campbell influenciou na maneira como os autores e cineastas iriam contar suas histórias, desenvolvendo uma tecnologia narrativa útil e empolgante, eliminando assim os riscos de tentar adivinhar e os gastos para desenvolver estas histórias para filmes. A Jornada do Herói passou a ter importância, pois ajudava a explorar os caminhos interligando mitos, histórias e psicologia. Vogler acredita que é um guia útil para a vida. Leia o resto deste post »
Publicado por: fernandamag em: 12/01/2008
A ética é um conjunto de juízos de valor que delimita a tomada de decisões. É através da ética que conseguimos fazer boas escolhas, sem que estas afetem ou prejudiquem outras pessoas.
Dois exemplos de falta de ética e irresponsabilidade no jornalismo são as histórias de Stephen Glass, um jovem jornalista que publicava matérias falsas, inventadas por ele, e a narração de Orson Welles, que aterrorizou milhares de pessoas com a encenação de uma invasão alienígena ao planeta Terra.
O filme “Shattered Glass – Verdade ou Mentira” conta a história verídica de Stephen Glass, destacando a irreverência e a originalidade do jovem jornalista. Glass teve várias matérias publicadas em uma das revistas mais famosas dos Estados Unidos, The New Republic.
Suspeitando da veracidade de uma das reportagens de Glass, um jornalista de uma publicação concorrente averiguou os fatos, e descobriu que era falsa. Acabou descobrindo uma série de invenções de Stephen. A carreira do jornalista foi arruinada por indignidade e falsidade. Revelou-se a falta de profissionalismo e ética, essenciais para a prática do jornalismo.
Abordando o mesmo tema, o caso Orson Welles ficou mundialmente conhecido pelo atrevimento e originalidade com que narrou, pelo rádio, uma obra de ficção como se fosse realidade.
Welles baseou-se na obra “A Guerra dos Mundos”, de H.G. Wells, para transmitir ao vivo a “invasão alienígena ao planeta Terra”.
A dramatização, transmitida em tempo real, com sucessivas interrupções, tornavam a narração ainda mais verossímil. Atraiu a atenção e a curiosidade de milhares de pessoas, causando histeria geral.
Orson Welles pregou uma peça nos ouvintes, conseguindo provar a força persuasiva da mídia sobre a população.
Os dois casos citados mostram que a falta de responsabilidade e a manipulação indevida da mídia podem causar danos irreversíveis.
O jornalismo representa o comprometimento com a verdade. Tem a função de assegurar a transparência das informações e proteger as liberdades, por meio da verdade e da responsabilidade profissional.
Os dois exemplos servem de parâmetro para a análise da ética.
Comprovam que devemos nos basear sempre na responsabilidade e nos princípios morais e éticos que regem a profissão do jornalismo para não incorrermos em erros que possam prejudicar a sociedade, e também a própria carreia profissional.
Publicado por: fernandamag em: 11/25/2008
O documentário feito em 2008 pela GloboNews sobre o ano de 1968 começa com um discurso de Martin Luther King, e uma cena de Bobby Kennedy em sua campanha eleitoral. Ambos foram assassinados no ano de 68.
O documentário apresenta a entrevista com o renomado sociólogo e professor da universidade de Columbia, nos EUA, Todd Gitlin. Integrante do maior movimento estudantil da época, o SDS (Students Democratic Society) , ele fala sobre a repercussão das revoltas de 68, ano marcado por grandes revoluções culturais, pelo feminismo, pelas drogas e pela guerra travada entre os EUA e o Vietnã.
Gitlin, autor de “Os anos 60 – Anos de Esperança, Dias de Ira”, fala que a elite política e o sistema social que levou os EUA à Guerra do Vietnã estavam estremecidos. Vários confrontos com a polícia ocorreram em Chicago. Batalhas entre a esquerda e a direita. Todd Gitlin acredita que sem a Guerra do Vietnã os conflitos teriam sido mais tranqüilos. A polarização que estava acontecendo no país era impulsionada por movimentos de direitos civis.
De acordo com o professor 1968 não foi só um simples conflito de gerações, pois elas já estavam dividas. Era um conflito entre a polícia e os manifestantes, que estavam reunidos na Convenção Democrática de Chicago, em agosto daquele ano.
Segundo com Gitlin, as guerras culturais de hoje são as mesmas daquela época, porém em 68 houve a erupção dos confrontos entre os mais imperialistas e “isolacionistas”, entre os mais radicais quanto à política econômica e os mais direitistas em relação a essa mesma política.
O repórter Lucas Mendes faz um comparativo com o movimento no Brasil, e diz não conseguir encontrar, nos EUA, muita consciência política. Os jovens de esquerda não tinham objetivos claros. Grande parte daqueles que realmente eram contra a guerra não se manifestaram na Convenção de Chicago. Tinham medo de cair em uma armadilha, e achavam que seria um conflito com a polícia, o que realmente foi. Além de acreditarem que os resultados políticos não seriam bons.
Para o sociólogo, os protestos estudantis em Paris, a Revolução Cultural na China e o que aconteceu nos EUA tinham apenas uma conexão superficial. A única semelhança era que as revoltas eram contra o imperialismo.
Ainda de acordo com ele, os grandes vencedores dessa revolução, de início, foram Nixon e o Partido Republicano. Ao longo do tempo, as posições liberais prevaleceram na guerra cultural, pois tinham uma tendência de abertura.
Para Gitlin, a SDS cometeu erros, primeiro por querer resolver tudo sozinha, segundo por fantasiar a revolução e terceiro por se recusar a analisar a situação real, mergulhando em uma ideologia preexistente.
A entrevista termina com a comparação feita entre os governos passados e os atuais, e a afirmativa de Gitlin de que os EUA perderam a sua hegemonia e não são mais o poder moral dominante.